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Time and title deeds in post-reform agrarian Kenya

Published online by Cambridge University Press:  29 May 2024

Angelique Haugerud*
Affiliation:
Rutgers University, New Brunswick, NJ, USA
Caroline P. Mwangi
Affiliation:
Loyola University Chicago, Chicago, IL, USA
*
Corresponding author: Angelique Haugerud; Email: haugerud@anthropology.rutgers.edu
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Abstract

The ‘title deed fix’ – resurgent globally since the 1990s – is part of a wave of market-led agrarian reforms whose outcomes have been mixed. Kenya was the first African country to experiment – starting six decades ago and continuing today – with state-mandated formal land registration and private titling. Today it is among a handful to begin a transition to a digitized land registry. Behind both paper and electronic land documents, however, is a persistent temporal fiction that undergirds state-backed title registries – namely, a constructed present that is out of sync with intersecting biographical and structural temporalities, and that can efface socially recognized pasts, commitments or testimonials. We analyse some consequences of those temporal dissonances, unstable rights durations, and an ensuing limbo that can last decades, through family land stories shared with us during long-term ethnographic research in Kenya’s fertile central highlands. Especially vulnerable to temporal erasure and dispossession when title deed limbo spans decades are divorced or single women and their children, particularly as farmland and non-agricultural employment become more scarce and land markets overheat. Multitemporal family narratives powerfully illustrate why title deeds of any age are best taken as provisional truths rather than legal certainties, and why tenure security is an unstable and reversible process rather than a present or absent condition.

Résumé

Résumé

La « solution aux titres de propriété », résurgente à l'échelle mondiale depuis les années 1990, s’inscrit dans une vague de réformes agraires à l’initiative du marché dont les résultats ont été mitigés. Le Kenya est le premier pays africain, depuis six décennies et jusqu’à aujourd’hui, à expérimenter l’enregistrement formel des terres mandaté par l’État et l’attribution privée de titres de propriété. Il est aujourd’hui l’un des rares pays à entamer une transition vers un cadastre numérisé. Derrière les documents fonciers papier et électroniques se cache cependant une fiction temporelle persistante qui sous-tend les registres fonciers soutenus par l'État, à savoir un présent construit qui est en décalage par rapport aux temporalités biographiques et structurelles croisées, et capable d’effacer les passés socialement reconnus, les engagements ou les témoignages. Les auteurs analysent certaines conséquences de ces dissonances temporelles, de l’instabilité des périodes de droits et du vide juridique qui s’en suit, parfois pendant des décennies, à travers des histoires de terres familiales recueillies au cours de recherches ethnographiques à long terme sur les hautes terres fertiles du centre du Kenya. Les femmes divorcées ou célibataires et leurs enfants sont particulièrement vulnérables à l’effacement temporel et à la dépossession lorsque le vide juridique autour des titres de propriété subsiste pendant des décennies, en particulier à mesure que les terres agricoles et les emplois non agricoles se raréfient alors que le marché foncier est en surchauffe. Les récits familiaux multitemporels illustrent avec force pourquoi il est préférable de considérer les titres de propriété de tout âge comme des vérités provisoires plutôt que comme des certitudes juridiques, et pourquoi la sécurité d’occupation des terres est un processus instable et réversible, plutôt qu’une condition présente ou absente.

Resumo

Resumo

A ‘correção do título de propriedade’ – ressurgida a nível mundial desde a década de 1990 – faz parte de uma vaga de reformas agrárias orientadas para o mercado, cujos resultados têm sido mistos. O Quénia foi o primeiro país africano a experimentar – começando há seis décadas e continuando até hoje – com o registo formal de terras e a titulação privada exigidos pelo Estado. Atualmente, é um dos poucos países a iniciar a transição para um registo fundiário digitalizado. No entanto, por detrás dos documentos fundiários, tanto em papel como electrónicos, existe uma ficção temporal persistente que está subjacente aos registos de propriedade apoiados pelo Estado – nomeadamente, um presente construído que não está sincronizado com as temporalidades biográficas e estruturais que se cruzam e que pode apagar passados, compromissos ou testemunhos socialmente reconhecidos. Analisamos algumas consequências dessas dissonâncias temporais, durações instáveis de direitos e um limbo que pode durar décadas, através de histórias de terras familiares partilhadas connosco durante uma pesquisa etnográfica de longo prazo nas férteis terras altas centrais do Quénia. As mulheres divorciadas ou solteiras e os seus filhos são especialmente vulneráveis ao apagamento temporal e à desapropriação quando o limbo dos títulos de propriedade se prolonga por décadas, sobretudo à medida que as terras agrícolas e o emprego não agrícola se tornam mais escassos e os mercados fundiários aquecem. As narrativas familiares multitemporais ilustram de forma poderosa a razão pela qual os títulos de propriedade de qualquer idade devem ser considerados como verdades provisórias e não como certezas legais, e a razão pela qual a segurança da posse é um processo instável e reversível e não uma condição presente ou ausente.

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Type
Water, irrigation and land
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© The Author(s), 2024. Published by Cambridge University Press on behalf of the International African Institute