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Pentecostalismo e antipetismo nas eleições presidenciais brasileiras

Published online by Cambridge University Press:  08 June 2022

Victor Araújo*
Affiliation:
University of Zurich, Zurich, Switzerland
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Resumo

O antipetismo explica o voto de pelo menos 40 por cento dos eleitores brasileiros para os quais a ideia de eleger o Partido dos Trabalhadores (PT) é inadmissível. O antipetista típico tende a ser descrito pela literatura como sujeito branco, escolarizado e anticorrupção. Neste trabalho, argumento que os evangélicos pentecostais, em sua maioria eleitores não brancos e de baixa renda, formam uma sólida base antipetista. Isso ocorre porque os eleitores desse grupo associam ao PT um conjunto de pautas vistas como “identitárias” e “anti-família”. Para testar esse argumento, utilizo dados de quatro rodadas do LAPOP que permitem distinguir a filiação religiosa e analisar o comportamento eleitoral dos respondentes nas eleições realizadas entre 2002 e 2018. Os resultados indicam que os evangélicos pentecostais são menos propensos a (1) votar no PT nas eleições presidenciais; (2) manifestar sentimentos de simpatia em relação ao partido; (3) recompensá-lo nas urnas pelos ganhos em bem-estar induzidos pela implementação do programa Bolsa Família.

Abstract

Abstract

Antipetismo explains the choice in elections of at least 40 percent of Brazilian voters for whom the idea of supporting the Worker’s Party (PT) is unacceptable. Antipetistas typically are white, well educated, and against corruption. This article argues that Pentecostal voters, mostly nonwhite and low income, form a solid anti-PT base, as they associate PT with a range of “identity” or “antifamily” policies. We test this argument using data from the Latin American Public Opinion Project that distinguish religious affiliation to analyze voting behavior in elections between 2002 and 2018. The results show that Pentecostals are less likely to vote for PT candidates in presidential elections, express sympathy with PT, or support PT in elections, even when benefiting from Bolsa Família, the PT’s antipoverty cash-transfer program.

Information

Type
Political Change and the Middle Class in Brazil
Creative Commons
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Copyright
© The Author(s), 2022. Published by Cambridge University Press on behalf of the Latin American Studies Association
Figure 0

Figura 1. Probabilidade de concordar com o aborto por grupo religioso. Elaborado a partir dos dados do LAPOP de 2019 (pesquisa de campo realizada em 2018). A unidade de análise é o indivíduo (N = 1,075). O painel A apresenta o resultado de uma regressão logística onde a variável dependente é um indicador binário que recebe o valor 1 caso o respondente concorde com a interrupção da gravidez, ou seja, um aborto, quando a saúde da mãe está em perigo, e 0 caso discorde. Os coeficientes da constante bem como das variáveis de controle referentes ao sexo, escolaridade, renda, ideologia, religiosidade, local de moradia e tamanho de município de residência do respondente foram omitidos da figura para economia de espaço. O painel B apresenta as probabilidades preditas de cada grupo religioso concordar com a interrupção da gravidez nos casos em que a saúde da mãe está em risco (N = 1,075). Neste caso, foram utilizadas as mesmas variáveis de controle das estimativas apresentados no painel A.

Figure 1

Figura 2. Determinantes do voto no PT nas eleições presidenciais brasileiras (2002–2018). Elaborado pelo autor a partir dos dados do LAPOP de 2006 (eleição de 2002 e 2006), 2014 (eleição de 2010), 2016 (eleição de 2014) e 2019 (eleição de 2018). A unidade de análise é o indivíduo. Os modelos de regressão logísticos foram ajustados com erros padrões robustos. A variável dependente assume valor 1 caso o respondente tenha votado no candidato do PT no primeiro turno das eleições presidenciais, e 0, caso contrário.

Figure 2

Figura 3. Distribuição da variável (dependente) simpatia ao PT. Elaborado pelo autor a partir dos dados do LAPOP de 2017 (pesquisa de campo realizada em 2016) e 2019 (pesquisa de campo realizada em 2018). A unidade de análise é o indivíduo. Os painéis A (N = 1, 494) e B (N = 1,470) apresentam a distribuição das respostas para a seguinte pergunta “Até que ponto o sr.(a) gosta ou não gosta do PT?”. A escala (representada no eixo X da figura) varia entre 1 (desgosta muito) e 10 (gosta muito). O eixo vertical da figura indica a porcentagem (%) de respondentes que se classificam em cada uma das posições da escala de simpatia ao PT.

Figure 3

Figura 4. Determinantes da antipatia/simpatia ao PT e PSDB. Elaborado a partir dos dados da rodada de 2019 (pesquisa de campo realizada em 2018) e 2017 (pesquisa de campo realizada em 2016) do LAPOP. A unidade de análise é o indivíduo. Os modelos de mínimos quadrados ordinários (OLS) foram ajustados com erros padrões robustos. A variável dependente varia entre 1 (desgosta muito) e 10 (gosta muito).

Figure 4

Figura 5. Relação entre pentecostalismo e retorno eleitoral do Bolsa Família nas eleições presidenciais (2006–2018). Elaborado a partir dos dados do LAPOP de 2006 (eleição de 2006), 2014 (eleição de 2010), 2017 (eleição de 2014) e 2019 (eleição de 2018). A unidade de análise é o indivíduo. Os modelos de regressão logísticos foram ajustados com erros padrões robustos. A variável dependente assume valor 1 caso o respondente tenha votado no candidato do PT no primeiro turno das eleições presidenciais, e 0, caso contrário.

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